A inevitável inveja É engraçado ver como essas reações de antiamericanismo exacerbado que muitos não têm vergonha de expôr - como cicatrizes repulsivas que marinheiros bêbados mostram uns aos outros num bar - estão sempre infectadas dum ressentimento absurdo. Pode-se quase sentir o ódio corroendo por dentro o coração dessas pessoas, a inveja desavergonhada que toma conta de suas palavras, muitas vezes sem que eles nem a percebam. Ah, como gostariam de ser eles os poderosos. Os mais ricos. "Ah, se a gente também tivesse a bomba. Aí sim esses gringos iam ver."
Mea culpa, mea maxima culpa "I was one of the first people in the Palestinian world, in the late 1970s, to say that there is no military option, either for us or for them, and I'm certainly the only well-known Arab who writes these things -- and who writes exactly the same things in the Arab press that I say here."
Amigos meus me mostraram algumas entrevistas e textos que me fizeram pensar um pouco; e cheguei a conclusão de que peguei um pouco pesado com o Edward Saïd num post de alguns dias atrás. Ok, ok. O sujeito não era de todo mal; tinha um bom conhecimento de música - alguns até garantem que um pianista mais do que razoável - e tinha opiniões relativamente sensatas, especialmente se levarmos em conta que vieram dum palestino árabe (ainda que exilado), pessoal que não é exatamente conhecido pela sensatez de seu discurso. Havia alguma tolerância em seu discurso, e não era pouca.
Mas ainda assim é-me impossível sentir simpatia pelo cara; desconfio moralmente de todo mundo que se esforça por "entender" atos terroristas, "procurar justificativas", ainda que "os condenando". Essa é uma das poucas questões em que não há alternativa; há que se assumir um lado. E, neste caso, parece um tanto óbvio que o lado que escolhe explodir inocentes em ônibus e pizzarias é o que está errado.
Do tempo dos faraós O governo do Egito acaba de soltar de suas (não muito agradáveis, imagino) prisões um tal Karam Zohdy, militante terrorista, condenado a prisão perpétua por ajudar a planejar e colocar em prática o assassinato em 1981 do presidente Anwar Sadat, ditador sanguinário, de moral tanto duvidosa, mas que tem o mérito, pioneiro na região, de ter feito paz com Israel. Aparentemente, o paspalho se arrependeu. Espera-se que Alá não tenha com ele a mesma leniência das autoridades egípcias e lhe mande torrar no quinto dos infernos.
O que me intrigou nesta história foi descobrir que, de acordo com a lei egípcia, uma prisão perpétua significa 25 anos de cadeia - e que cada um desses "anos" equivale a apenas 9 meses. E eu que pensava que o sistema judicial brasileiro é que fosse completamente imprestável.